
Esforço-me por compreender o porquê das horas passarem. O porquê dos minutos acontecerem e a causa dos segundos existirem. A finalidade dos dias que, todos juntos, fazem nascer a vida, a nossa vida. Preenchida pelos minutos das vidas que preenchem outras pessoas. Pessoas que eu guardo. Mas guardo-as estranhamente. O nosso coração marca as pessoas de uma forma estranha. À medida que o tempo passa, somos "obrigados" a atualizar a imagem dessa pessoa, porque, impotentemente, não sabemos como manter a pessoa sempre igual à imagem que o nosso coração gravou dela. É nessa situação que eu sei que preciso de parar um bocadinho o meu relógio vital, para me aperceber do que realmente mudou. Noto que há um olhar diferente. Um sorriso diferente. Noto que a imagem que a minha alma tem no seu álbum ficou a preto e branco de um momento para o outro e virou recordação. Há fotografias que não deveriam de ser tiradas, parecendo que não, ao "olhar para a foto" vejo algo que não vai poder voltar atrás e ser vivido de novo. Parecendo que não, destrói! Porque as recordações sempre têm um lado mau, obriga-nos a aceitar que nada acontece de novo. Os minutos que alguém preenche, os dias que alguém passa do nosso lado, são fotos que magoam ao ver. E, quando nos sentamos, de coração na mão, prestes a abrir o álbum das fotos, custa. É pior do que queimar qualquer foto, é saber que ela está ali, e não dá para deitar fora. Aprendemos a conviver com todo o rolo das fotos, aprendemos a passar mais uns minutos com elas... Pena que dói, dói ter medo de continuar a viver no meio de flash e revelações, e saber que vai haver amanhã.
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